Notas do Autor - Royal Emperium #3


Olá, pessoal!

De volta com mais um curto capítulo da Royal Emperium, hoje nos aprofundamos um pouco em alguns personagens. Só como esclarecimento, esse capítulo teoricamente se passa entre os episódios 26 e 27, entre a evolução do Pupitar e a batalha com a Korrina. Eu não o havia terminado antes de postar o capítulo 27, portanto coloco ele depois, mas sei que vocês entendem o contexto! Aos poucos vamos conhecendo os personagens da guilda, especialmente uns novatos que ainda não haviam aparecido, como a Skrelp, o Tyrunt, e o Kecleon. Espero que gostem do especial!!

Royal Emperium #3

Capítulo 3 - Royal Emperium
Noite

— Senhor.
Após as três leves batidinhas na porta de madeira do dormitório, a torre ficou inundada por um silêncio mortal. Theodore balançou de um lado para o outro, nervoso, batucando com os dedos inquietamente a bandeja branca cheia de alimentos recém-preparados por ele mesmo. Mary encostava na parede ao seu lado, a boca aberta e uma expressão de expectativa.
— Senhor. — repetiu o Magikarp, batendo novamente. — Trouxe algo para comer.
Desta vez a porta foi aberta, fazendo um rangido das fechaduras. Theodore deu inevitavelmente um passo para trás ao se deparar com seu líder em um olhar tão fechado que sentiu as pernas bambearem. O rapaz parecia maior que o usual, mas estava sem sua costumeira armadura, vestindo algo como um pijama despojado, unicamente. A expressão era de profundo cansaço e decepção.
— Obrigado. — disse, a voz mais grossa que geralmente, com um tom sério tão amargo que o Magikarp ficou sem saber o que dizer.
— Eu… Hm… Queria parabenizá-lo por, sabe, evoluir. — falou, tropeçando nas próprias palavras.
Neal pegou a bandeja e acenou com a cabeça, sem energias.
— Obrigado, Theodore.
Em seguida, fechou a porta mais uma vez. O bobo-da-corte ficou parado, cabisbaixo enquanto fitava a porta, como se aguardasse que seu líder a abrisse e dissesse “está tudo bem, não se preocupe. Entrem, vamos conversar”. Mas sabia que aquilo não aconteceria, poderia ficar ali parado a noite toda esperando, que teria apenas a porta para observar.
— Eu nunca o vi assim. — murmurou ele.
— Nem a minha brincadeira de sempre fez ele rir. — comentou Mary, frustrada. — E funcionava todas as vezes.
— Ele queria muito vencer o grande Magnar. E quando o dia chegou… Não foi capaz de defender a guilda. — suspirou o Magikarp.
Magnar era o líder da Iron Helmet, uma guilda quase tão nova quanto a Royal Emperium, mas que ascendera em tão pouco tempo que se tornou um destaque entre as guildas jovens de Kalos. Sobretudo, o guildmaster era um antigo rival de Neal, desde que eram apenas crianças em outros tempos. No primeiro combate de verdade entre os dois, tempos depois, a derrota do Pupitar foi inevitável, mesmo com sua evolução.
— Só espero que ele melhore logo. — disse Theodore. — Logo terá uma batalha decisiva no Ginásio de Shalour, e não sei se ele suportaria outra derrota.
Nas fronteiras da Royal Emperium, o clima era consideravelmente mais leve. Tiberius, o segurança e guardião da guilda, permanecia estático em sua posição de vigília – o corpo enorme estufado e uma expressão neutra na face, monitorando os arredores caso alguém ameaçasse uma invasão, o que não se esperava que acontecesse. A noite estava em uma agradável temperatura, e àquela distância apenas os barulhos da natureza o tiravam da quietude noturna. A lua tinha um tom forte de amarelo, envolta por várias estrelas distribuídas pelo céu como uma malha toda pontilhada.
O silêncio foi interrompido quando de súbito ouviu um grito em sua direção.
— AHHHHHÁ!!!!
Alguém saltou na direção do guarda, atingindo-lhe com o pé em um golpe. Tiberius, todavia, sequer se importou muito, apenas virando suavemente a cabeça para ver de onde era atacado. Em seguida, levantou o invasor com uma das mãos, pendurado. Era uma garotinha de tranças, cujo chapéu caiu quando foi erguida de ponta-cabeça. Ela se debatia inquietamente, sem muito sucesso.
— Ei! Me solta, seu… Seu… Gigante de milênios atrás! — reclamou ela, dando socos no ar.
— Destruir inimigos. — murmurou o guarda.
— Eu não sou inimiga, seu infeliz! — ela retorquiu, nervosa. — Sou da guilda!
Tiberius ficou a ponderá-la.
— Por que amiga ataca guilda? — indagou.
— Porque… Bem… — a própria menina ficou sem uma resposta imediata. — Porque eu estava testando sua segurança. E ela foi aprovada. Por enquanto.
Agnes era incapaz de ficar quieta em seu canto. A todo momento gostava de estar em atividade e às vezes acabava por provocar os outros, apenas para estar em uma luta. Ainda era uma novata dentro da guilda, mas chamava a atenção por suas habilidades, sendo tão apta guerreira da água, como hábil com venenos.
Enquanto os dois debatiam, Austin, o Skiddo, apareceu correndo portão afora. O rapaz não tinha uma expressão muito contente no rosto, andando a passos rápidos, quase trotando.
— O que está acontecendo aqui exatamente? — inquiriu. — Não podem esperar para invadir a guilda quando meu turno acabar?
— Guardião da Torre! — gritou Agnes, apontando para ele. — Eu o desafio para uma batalha!
Mason levantou uma sobrancelha, apoiando as mãos nos joelhos para ficar na altura da garota ainda suspensa no ar pelo guarda.
— Ei, calma lá. O que que eu tenho a ver com isso? — reclamou ele.
— Me enfrente, bode! Quero ver se é capaz de defender sua guilda. — falou ela, com a confiança de quem não estava sendo imobilizada por um guerreiro de dois metros.
— Eu não estou aqui para defender nada. — disse, dando de ombros. — Por isso temos o grande Tiberius cuidando de nossa fortaleza.
— Então você se rende? — perguntou ela.
— Quem é você, mocinha, para desafiar um membro veterano? — perguntou ele, arqueando as duas sobrancelhas.
Tiberius, naquele momento, soltou a garota, de maneira que caísse no chão. Contudo, ela se levantou tão rápido que sequer poder-se-ia dizer que sofreu algum dano com o impacto. Ela apoiou as mãos na cintura, confiante, o peito estufado e cheio de pompa.
— Eu sou Agnes, a besteira mais poderosa da região. — disse, com um sorriso firme.
— Besteira? — perguntou Austin.
O guerreiro de grama começou a gargalhar com o nome, enquanto a menina ficou a observá-lo a princípio confusa, mas em seguida furiosa. Ela desferia alguns soquinhos no ombro do rapaz, que não conseguia parar de rir.
— EU ESTOU FALANDO SÉRIO, SEU DESGRAÇADO! — disparou a menina. — Besteira, de quem usa uma besta!!
O Skiddo parou por um momento e a observou, mas bastaram poucos segundos para que continuasse rindo ainda mais, precisando agachar no chão para tentar se conter. A garota quase soltava fogo pelos olhos, mas nada que fizesse impedia que o garoto gargalhasse espontaneamente.
— É UMA ARMA! Essa daqui, ó! — resmungou, estendendo o objeto que carregava consigo.
Passaram-se mais alguns bons instantes até que o rapaz conseguisse se conter um pouco, limpando as lágrimas que formaram inevitavelmente no canto do olho. Agnes ainda tinha um olhar fuzilante em seu rosto. Ele se levantou, afagando o cabelo da menina.
— O.K., então vou te chamar de Bestinha agora.
Agnes vociferou, chutando a canela de Austin. Tiberius abriu um pequeno sorriso, parecendo se divertir.
— Bestinha. — repetiu consigo, parecendo gostar da brincadeira.
Austin voltou a rir alto, enquanto ela se voltava agora nervosa com o segurança.
— EU NÃO TE DEI AUTORIZAÇÃO PRA ISSO, BODE! — disse, para Austin.
— Pirralha, você está atrapalhando o trabalho do senhor Tiberius. — falou o garoto, agora recuperando o fôlego depois de tanto rir. — Deixe ele cuidar do trabalho, que meu turno acaba em… — ele olhou com desdém para um relógio. — Agora.
— Mas não é só você que cuida da torre? — indagou Agnes.
O rapaz preparava-se para ir embora, mas voltou.
— Por isso mesmo, eu que determino meu horário de descanso. — falou, bem articulado. — E é cruel fazer alguém trabalhar direto por… Hm… Quarenta minutos.
— Eu vou dedurar você para o Guildmaster, dizer que não está cumprindo seu trabalho. — falou a garota, confiante.
— E eu vou dizer que você está sendo ótima no seu. — respondeu Austin. — Que é ser uma Bestinha.
— Bestinha. — repetiu Tiberius, sorrindo.
— AHHHHHHHHH SEU DESGRAÇADO!

...
O deslizar do pincel pela tela áspera acalmava Vincent. Ele adorava a paz do período noturno. A guilda era interessante durante o dia, mas sempre cheia de obras, crianças brincando, Theodore correndo para lá e para cá. Quando o sol se punha, todos focavam mais em suas próprias atividades e viviam em seu tempo. Vincent, sobretudo, era um dos membros que gostava de aproveitar seus picos de inspiração para ficar às vezes praticando suas atividades artísticas de madrugada, quando tinha a oportunidade. Ainda era relativamente cedo, os membros concluíam seus afazeres para então relaxar.
O rapaz encarava um vaso enquanto cuidadosamente reproduzia desenhando aquilo que via. Misturava as cores com calma, tinha toda a cautela do mundo para adquirir o tom desejado. Uma lanterna velha iluminava exatamente o ponto que desejava para o vaso, e se não por uma outra luz fraca presa ao teto, seu ateliê estava inundado em uma penumbra. Ele gostava disso, deixava tudo mais reconfortante. O espaço era pequeno e bem bagunçado – tintas para todos os lados, quadros antigos, esculturas não terminadas, materiais de desenho e por aí vai. Mas ele gostava, era seu pequeno refúgio dentro daquela guilda que só crescia a cada dia.
— Que belo uso das cores.
Vincent deu um salto com o susto. Não tinha ouvido ninguém se aproximar, e a porta estava fechada. Correu os olhos arregalados pelo espaço pequeno, mas não encontrou nenhuma pessoa. De repente, parecia ver um par de olhos em um ponto do ateliê, e antes que soltasse um berro de susto, viu um ser tomando as formas aos poucos de um rapaz de mesma estatura que ele, vestido em uma capa que parecia ajudar em sua camuflagem. Seus grandes olhos verdes se escondiam entre as vestes.
— Desculpe, não quis assustá-lo! — disse o moço.
— Bem, deveria ter pensado nisso antes de entrar escondido no meu ateliê. — rebateu Vincent, colocando a mão no peito para sentir as batidas aceleradas de seu coração.
— Queria apenas observar um pouco, mas fiquei fascinado com suas habilidades, e esqueci que estava meio que escondido. — o outro deu uma risada. — Meu nome é Pascal, e sou Pokémon do jovem Elliot, novo amigo dos outros garotos.
— Um membro novo. Por isso não o conhecia. — comentou o Smeargle. — Eu sou Vincent, muito prazer. — e apertou sua mão. — Deixe-me dizer que sua habilidade também é notável. Consegue se camuflar em qualquer tipo de cenário?
— Praticamente. — assentiu o outro.
— Incrível. Deve ser ótimo para fugir de reuniões quando você precisa terminar uma escultura e não teve tempo para fazer isso. — ponderou o pintor.
O Kecleon coçou a cabeça.
— Eu nunca tentei com esse propósito, mas…
— Senhor Vincent? — uma voz chamou por trás da porta de madeira.
O Smeargle caminhou tranquilamente até a entrada, revelando um jovem pálido e de roupas claras e limpíssimas. O menino corou, um pouco tímido, enquanto carregava um buquê de flores.
— Desculpe, eu só queria deixar essas flores que você encomendou para uma pintura… Perdão por atrapalhar. — disse Eryx, entregando o buquê.
O Smeargle pegou o ramalhete, com flores imensas em um tom de amarelo vivo. Eryx entendia como ninguém de flores devido ao seu tipo e sua espécie, e conseguia cultivar as mais belas plantas para propósitos decorativos para a guilda.
— Imagina, eu estava só procrastinando. — comentou o rapaz, colocando as flores no vaso que antes pintava. — Esse é o Pascal, um membro novo.
Eryx encarou aqueles olhos verdes reptilianos com curiosidade.
— Ah, sim. Bem-vindo. — acentou, tímido.
— Obrigado. — respondeu ele, possivelmente sorrindo, mas era difícil dizer com sua boca coberta. — Já está ficando tarde, vou deixá-los fazerem seu trabalho. Uma boa noite!
Após uma simpática despedida dos demais, o Kecleon saiu caminhando rumo aos dormitórios. Eryx auxiliou Vincent a arrumar as flores de uma maneira mais bonita para que fossem pintadas. Ele havia especialmente usado seus poderes para que elas durassem um pouco mais de tempo e não murchassem rápido, sem que a pintura estivesse concluída. Quando percebeu que estavam sozinhos, Eryx levantou o olhar.
— Ele está há muito tempo na guilda? — inquiriu, com a voz forçando naturalidade.
— Algum problema? — indagou por cima o Smeargle.
— Não sei, tenho um pressentimento estranho sobre ele. — falou, acanhado. — Desculpa, meus poderes ficaram meio confusos desde a evolução, ainda não sei controlá-los direito.
— É um guerreiro que se camufla, deve confundir suas habilidades Fairy-type. — argumentou Vincent. — E obrigado pelas flores.
Após um sorriso, Eryx se retirou. Não era o tipo de membro que admirava muito o período noturno, mas precisava realizar mais uma entrega especial naquele dia antes de finalizar sua oficina. Foi para uma área mais importante dos dormitórios, encontrando Mary sentada pensando em uma escada.
— Mary? — perguntou.
A Espurr revelou um sorriso ao encontrar o amigo, correndo para abraçá-lo.
— Eryx!
Ele puxou um pequeno buquê simples de flores, mostrando para ela.
— Você pediu que eu trouxesse isso? — perguntou.
— Sim, eu queria dar para o Neal de presente.
— O efeito delas é bem curto, não acho que vá resolver muitos problemas.
Mary cheirou as flores.
— Está perfeito.
Ela admirou as plantinhas. Tinham um cabo liso, mas as delicadas pétalas se acumulavam aos montes, deixando-a cheia e exuberante. Havia só umas três ou quatro, era um arranjo bem simples, prendendo todas com uma fitinha roxa. Mas Mary achava perfeito, justamente por sua delicadeza.
— Sabe, tenho sentido uma energia muito forte dele ultimamente. — disse Eryx. — E não é só pela evolução. Ele está passando por um momento muito difícil.
A garota assentiu, e permitiu que ele se retirasse. Em seguida foi até o quarto de Neal, saltitando enquanto cantava. Sabia que não eram flores quaisquer. Elas haviam sido encantadas pelos poderes de Eryx. O garoto era capaz de trazer diferentes efeitos a partir das plantas que cultivava. Apesar de não serem fortes o suficiente para vencer uma guerra, poderiam causar pequenas surpresas para que recebia, e trazer sorrisos singelos para as pessoas.
— Ei, Neal. — ela bateu na porta.
O Pupitar a recebeu, com a mesma expressão desgastada de antes. A menina não se abalou, piscando os grandes olhos púrpuros para ele.
— Trouxe isso pra você. — ela estendeu o buquê.
Ele apanhou, tentando ser gentil.
— Obrigado, Mary.
— É uma flor encantada. — disse a garota. — As brancas trazem paz e prosperidade.
Neal sentiu o aroma doce das flores. Notou, ao segurá-las perto de si, um efeito curioso, como se as pequenas partículas que inspirava dançassem em seu interior. Aquelas flores que Mary havia pedido tinham esse efeito. Elas eram capazes de tranquilizar, trazer um pequeno êxtase a quem recebia. E a menina queria muito que seu amigo tivesse esse sentimento naquele momento.
— Elas são muito bonitas. — ele admitiu. — Obrigado.
— Eu sei que você tá triste. — falou a menina, acanhada. — Mas não precisa ficar.
— Eu sei, Mary. — ele abriu um sorriso fino e frágil.
— Você é o guerreiro mais forte que eu conheço. — ela saltitou. — Vai dar um jeito de vencer o Magnar na próxima vez. Como você fala? “Perdemos a batalha, mas não a guerra”.
Neal sabia que muito em breve o efeito passaria. Logo voltaria a pensar em Magnar, e que suas estratégias estavam falhas – e o pior, antes de uma batalha decisiva em um ginásio. Ele sabia que as preocupações de sempre não demorariam a voltar à sua mente. Mas permitiu aproveitar-se daqueles curtos instantes de felicidade para esquecer de tudo, sentir aquele cheiro docinho e o carinho de sua melhor amiga lhe permitindo dar um sorriso sincero como há muito tempo não fazia.
— Obrigado, Mary.

Kecleon



Pascal é o Kecleon de Elliot, e primeiro Pokémon do garoto. Encontrou com Serena e sua Espurr enquanto enfrentava uma horda de Roggenrola sozinho, sendo derrotado e salvo pelas duas.

Antecedentes

Sabe-se que foi recebido por Elliot quando mais novo. Mais detalhes são ainda desconhecidos.

Estratégias e Envolvimento em Batalhas

Raramente entra em batalhas, apenas quando essencialmente, por conta de ser o primeiro Pokémon de Elliot. Suas técnicas de camuflagem e adaptação a depender do ambiente e do adversário o tornam um guerreiro muito versátil e imprevisível.

Royal Emperium

Pascal é um membro recente e curioso da guilda. Levando em consideração que seu treinador ingressou apenas recentemente no grupo, alguns membros ainda não tem conhecimento de sua presença. Devido às habilidades de sua espécie, é capaz de se ajustar a vários contextos e serviços dentro do grupo, sendo um membro notável desde sua entrada. Por este mesmo motivo, é difícil que os demais Pokémon definam sua personalidade e gostos, uma vez que é completamente adaptável.

Pupitar



Pupitar é o principal Pokémon de Calem. O garoto encomendou um Larvitar ao decidir seguir jornada com Serena, porém, não se deu bem com este a princípio, diferente da menina e sua Espurr. Neal costuma ser bem centrado em seus objetivos e extremamente crítico, portanto, ao perceber que seu treinador possuía total inexperiência para o cargo, o subestimou. Ambos, apesar dos raros momentos de consonância, são geralmente afastados e mantém uma relação quase que apenas de batalhar no mesmo time, às vezes Pupitar desobedecendo a Calem.

Antecedentes

Neal vivia em uma loja junto de Mary, a Espurr. Mais detalhes são ainda desconhecidos.

Estratégias e Envolvimento em Batalhas

Neal é atualmente o Pokémon mais poderoso de Calem, e um dos mais fortes de todos os outros Pokémons do grupo. Possui o ataque Stone Edge, que só pode ser aprendido por meio de Breeding, o que o torna um Pokémon raro, além de não ser comumente visto em Kalos. Com sua evolução, passou a valorizar mais habilidades defensivas de sua nova forma.

Royal Emperium

Ele é o Guildmaster da Royal Emperium, por ser um dos Pokémons mais antigos e também mais poderosos. Um jovem a princípio da velha geração, com valores também não muito novos. Ele raramente é visto se divertindo com os outros integrantes, permanece apenas em sua zona, planejando como expandir a guilda para que se torne um verdadeiro império. Alguns dizem que Neal é frio, e busca apenas tornar a guilda mais poderosa, sem se importar com os guerreiros que a integram. Porém, é inegável o fato de que, mesmo jovem, é extremamente habilidoso em estratégias e luta com todas as suas forças para proteger seus ideais e aqueles que ama. Praticamente todos os membros o respeitam e reconhecem sua importância como chefe.

Larvitar e Evolução

Apesar de menos experiente, como Larvitar já era um guerreiro de reconhecimento e belo estrategista. Mesmo sendo novo, era visto como um prodígio entre a Royal Emperium, conseguindo fazer a guilda ascender entre as demais novatas da região de Kalos.

Teve uma rivalidade desde a infância com Magnar, um Aron. Após encontrar seu inimigo em uma batalha e enfrentá-lo em sua forma evoluída, também acabou por adquirir uma nova forma, tornando-se Pupitar. Contudo, a evolução não impediu a derrota de Neal, de maneira que o garoto se tornasse ainda mais fechado e calculista após esse enfrentamento, aguardando pela próxima vez que se depararia com Magnar.



Curiosidades

  • Neal é um nome de origem celta, que significa "campeão";
  • Larvitar foi um Pokémon escolhido sem muitas complicações para Calem como inicial.
  • Foi o Pokémon mais votado em uma enquete perguntando qual dos Gijinkas deveria ser apresentado primeiro. Portanto, é a primeira ficha publicada, em 17 de outubro de 2014.

Notas do Autor - Capítulo 27

ALERTA DE SPOILERS! Antes de ler as notas, leia o capítulo correspondente primeiro!

Um grande olá a todos, e um feliz ano novo!

Depois de três capítulos atiçando a curiosidade de vocês, finalmente temos a batalha do Calem contra a Korrina, líder do Ginásio de Shalour. Confesso que fiquei bem hesitante antes de escrevê-la. Qualquer um dos resultados traria um caminho diferente para a fanfic, muito mais que um simplesmente ganhar ou perder. Há tempos comento que não me sinto tão à vontade escrevendo batalhas - gosto de criar personagens, de fazer mistérios, contar histórias... Mas batalhas não eram muito minha área. Contudo, neste capítulo, consegui escrever uma que eu olhasse e ficasse satisfeito. Não penso que poderia fazê-la de outro jeito, as coisas aconteceram naturalmente. Eu havia feito um pequeno rascunho antes, mas na hora de sentar e começar a escrever pra valer, as coisas fluíram de uma tacada só, como há tempos não acontece. Foram horas sentado no computador que renderam um dos capítulos mais emocionantes da fic, e penso que ideal para a última batalha de ginásio da temporada.

A partir daqui não teremos grandes batalhas oficiais, apenas o encerramento da temporada. Maaas, não pensem que só por isso as emoções acabaram. Não! No capítulo 28 teremos a cerimônia de premiação, quando revela-se para o mundo O Sucessor do Gurkinn. Vou dizer que o capítulo está bem interessante, inclusive com uma aparição especial que provavelmente é bem aguardada por aqui! Palpites?! Vamos que vamos, rumo à conclusão da Saga X, cada vez mais próximos!

Eu fiz essa enquete como uma curiosidade depois de toda a trama que criamos em cima da batalha. Esperava que o Calem vencesse nos votos, mas confesso que não esperava que fosse uma vitória tão distante da Korrina ~rs. Eu, pessoalmente, e independentemente do resultado, penso que a Korrina merecia vencer mais que o Cal. Espero que tenham gostado do capítulo, e vejo vocês no próximo!



Capítulo 27


Capítulo 27
Orgulho e Tradição


Calem colocou sua boina sobre os cabelos castanhos bagunçados, respirando fundo. O barulho da torneira aberta reverberava pelos azulejos do pequeno banheiro branco da pousada. Os olhos acinzentados do garoto estavam fixos no reflexo inseguro do espelho, refletindo a amarelada luz que pendia no teto. Soltou uma longa bufada de ar, abrindo a porta e dando no quarto.
Encarou suas Pokébolas e os dois emblemas que guardava em uma pequena caixinha — a Bug Badge e a Cliff Badge. Cada qual com uma história, um caminho e uma batalha interna até a vitória. Muito mais que simples combates, eram signos de uma conquista do rapaz em seu caminho. Oito insígnias, diziam. Com oito insígnias, você pode enfrentar a Liga Pokémon.
Calem respirou fundo caminhando lentamente até a janela. Avistava as casinhas que também compunham aquela rua, mas ao fundo podia localizar a imensidão oceânica. O mar naquele dia estava azul enegrecido, quase cinza, como um céu noturno, cujas camadas mais distantes ainda permaneciam desconhecidas aos viajantes. Isso porque o sol era encoberto por imensas e grossas nuvens escuras, que fechavam todo o litoral naquele dia. Uma tempestade poderia aparecer a qualquer momento.
Ouviu o som dos amigos pelo corredor e se virou, escondendo o rosto. Voltou a aprontar as coisas e deu um olhar rápido com um aceno, indo para fora. Em breve deveria sair, pois estava próximo do horário combinado com Korrina e, como sempre, Calem odiava se atrasar.
Por que sentia um frio na barriga como nunca antes? Como aquela batalha no dia anterior tinha mexido tanto comigo? Por mais que dissesse que não, meu próprio corpo se impedia de comportar normalmente. Desviei de todas as perguntas que pude; preenchi-me de um mau-humor maior que o usual, que não conseguia lutar contra mesmo que quisesse. E sempre que voltava à mente a imagem de lutar contra Korrina, colocar um Pokémon para batalhar… Parecia que eu poderia vomitar a qualquer momento.
...
Splash, splash.
Os pés de Korrina afundavam na beira do mar, os dedos sendo contornados pela areia úmida e macia, que moldavam cada centímetro de sua pele, fazendo cócegas. As águas, em seguida, limpavam-na daquele barro, jogando as espumas na beirada. Aquela área da praia estava vazia, senão pela líder. Um dia de chuva não atraía muitos turistas para um banho de mar. Ela encarava as próprias pernas caminhando serenamente. Tinha os cabelos soltos, as vestes bem despojadas, e carregava seus chinelos em uma das mãos.
A garota respirou fundo a maresia, preenchendo os pulmões com aquele ar purificado pelo mar, sentindo o típico aroma levemente salgado. Ao longe, a Tower of Mastery se colocava imponente contra o céu nublado. O dia havia chegado, finalmente. Se os céus lhe respondessem, finalmente, terminaria aquele dia com a Key Stone que tanto almejava havia anos.
Mas, por algum motivo, em seus ouvidos ainda ecoavam as palavras de sempre do seu avô: “Há anos eu lhe digo que você ainda não está apta a recebê-la, e ainda não mudei de ideia”.
...
A imensa escadaria da Torre Mestra parecia não ter fim. Calem caminhava em silêncio, e seus amigos o acompanhavam respeitando a escolha. Serena, Charlie, Elliot, Katheryn e Aldrick o seguiam para assistir àquele desafio e apoiar o rapaz. Sua prima tentava espiá-lo de canto de olho, mas como ele estava um pouco à frente, não conseguia ver sua expressão. Sabia que algo deveria estar errado pela forma como ele chegou em casa no dia anterior.
Quando o eco dos pés batendo nos degraus já havia se tornado quase uma música, visualizaram um caminho iluminado pela claridade natural, com a porta que se punha aberta ao fim do trajeto. Avançaram, cobrindo os olhos contra a diferença de luz entre os dois espaços. Korrina, Gurkinn e Grant os aguardavam.
— Espero que não se importe com minha preferência. — disse a líder ao avistá-lo. — Penso que uma batalha como essa seria muito melhor aqui que no ginásio.
O rapaz assentiu.
— Como preferir.
Gurkinn suspirou.
— A Torre Mestra foi onde nosso ancestral encontrou a primeira Key Stone, portanto o local onde a primeira Mega Evolução aconteceu. — disse o senhor, de braços cruzados. — Entendam o que esse lugar significa para lutarem por aqui.
Calem sabia. Caso alguém verbalizasse isso, diria que era loucura, mas sentia algo estranho, quase como uma aura mística sempre que pisava naquela torre. Talvez fosse algo apenas psicológico, – era o que acreditava. – mas era impossível não se permitir contaminar pelas energias que envolviam a torre que hospedaria aquela batalha.
— Precisamos de alguma cerimônia, ou algo especial para começarmos? — indagou o garoto.
Ela balançou a cabeça.
— Não será necessário. — falou. — Se estiver pronto, é só se posicionar do seu lado do campo.
O garoto concordou. O chão da torre era um mosaico de pedra repleto de cores e detalhes, mas que formava principalmente um símbolo ao centro, entre todos os tons e desenhos. Algo ligado à genética, pelo que Calem já havia estudado, e possivelmente associado às Mega Evoluções. Uma grade média de pedra e ferro entornava as laterais, o que protegia o espaço, mas com certeza não impediria ninguém de cair de lá de cima. O espaço era mais que suficientemente amplo para ser um campo de batalhas. De lá, tinha-se uma vista abençoada.
Muitos e muitos metros de mar à frente e aos lados, a perder de vista, encontrando no horizonte o misterioso céu acinzentado. Ao longe conseguiam avistar toda Shalour City, com as casas de pedra parecendo insignificantes àquela distância. Mais ao longe, vários morros, campos e cavernas, formando todo o caminho que fizeram de Kalos até chegar àquela cidade. Os ventos marítimos sopravam com mais intensidade naquela altura, balançando roupas e cabelos com malícia. Os cinco outros amigos não evitaram ficar encantados pela visão que se tinha daquele lugar.
Calem foi para o lado oposto a Korrina, disposto a iniciar logo aquilo de uma vez. Enrolar não ajudaria em nada. Serena saiu de seu transe com a vista e correu até o primo.
— Ei, Cal. — falou, tocando-lhe no ombro. Os olhos do primo pareciam frios e distantes. — Sei que deve estar nervoso para esta batalha, mas você vai se sair bem. Você sempre se sai. As coisas… — ela olhou rapidamente para Korrina, e esperava que ele não notasse. — As coisas vão acontecer como precisam acontecer. Lembre-se sempre disso.
O rapaz fez que sim com a cabeça.
— Calem-kun! — disse Katheryn, empolgada. — Você vai arrasar, eu tenho certeza!
— Sim, sei que você praticou para isso e estamos na torcida. — concordou Aldrick.
— Claro que eu já ganhei, então você precisa ganhar também, se não quer dizer que eu tô, assim, super mais à frente que você e…
Aldrick deu uma cotovelada na amiga.
— Às vezes você está indo bem até certo ponto, e daí você passa desse ponto. — sussurrou o louro para ela.
Charlie deu um tapinha no ombro do garoto.
— Você vai conseguir.
— Você é um dos melhores treinadores que eu conheço. — continuou Elliot. — Você vai ganhar!
Calem abriu um sorriso bem simples e concordou com a cabeça, em agradecimento.
Sei que faziam aquilo na melhor das intenções, mas eu não conseguia me levar por suas palavras. Diziam aquelas coisas porque precisavam dizer, porque se sentiam na obrigação de dizer. Ninguém queria falar “ei, sei que você foi uma droga várias vezes, e hoje mais que nunca você não pode ser uma droga, então… Boa sorte, eu não sei o que esperar”, mas provavelmente era o que passava na cabeça de cada um. Eles não sabiam o que eu pensava, não sabiam que aquilo era mais uma prova que eu não queria falhar. Se falhasse de novo, eu reforçaria o que já estava bem firme, e que aquele garoto, Damiem, já havia dito indiretamente.
Eu era fraco.
Calem balançou a cabeça como se tentasse afastar os pensamentos grudados em sua mente com a brisa litorânea.
— Eu estou pronto. — anunciou Calem.
A líder de ginásio concordou com a cabeça. Deslizou com seus patins até um canto, onde uma caixa rubra e dourada guardava três esferas. Certamente havia as transportado de seu ginásio até a torre para a batalha. Puxou uma das Pokébolas e foi para seu lugar no campo, colocando-se em posição de luta. Grant, o líder de Cyllage caminhou até o centro lentamente. Dirigiu um olhar para Korrina, parecendo desejar-lhe sorte mentalmente, com um sorriso. Em seguida, estendeu os braços compridos para os lados.
— Esta será uma batalha oficial entre Calem Windsor, da cidade de Vaniville, e Korrina, a líder de ginásio de Shalour, pela Rumble Badge e o título de Sucessor das Mega Evoluções. — anunciou.
As palavras do moço pareciam assustar como uma avalanche de pedras, com tamanha seriedade e entonação que colocava em cada uma. Ele prosseguiu:
— Cada um pode utilizar três Pokémon, de maneira alternada. O uso de itens durante o combate é vetado. Quando os três Pokémon de um dos lados forem derrotados, a batalha estará encerrada. — finalizou.
Ele olhou para cada um, esperando-os fazer um sinal com a cabeça, apontando estarem preparados. Assim, jogou as mãos para o alto:
— Comecem!!
Korrina puxou sua Pokébola e jogou em direção ao campo, se movendo como se estivesse em uma luta. Os pés deslizavam no chão devido às rodas dos patins, contribuindo para sua agilidade em cada movimento.
— Mienfoo, não vamos pegar leve. — bradou.
— Vamos nessa, Skrelp. — disse Calem, por sua vez.
O cavalo-marinho de Calem se colocou em campo, começando a balançar para os lados em aquecimento, mostrando sua destreza. A criatura parecia recuperada do combate do dia anterior, pronta para uma nova batalha. Do outro lado do campo, surgiu um pequeno Pokémon, que logo se pôs em posição de defesa. Trajava um quimono, e as patas apesar de pequenas dançavam curiosamente no ar, ameaçando golpes de luta. Os olhos avermelhados pareciam concentrados e disciplinados. Apesar de ser até mesmo fofa, algo em sua forma de movimentar dizia que qualquer um que tentasse abraçá-la desavisadamente se arrependeria em segundos.

— Comecemos com o Poison Tail! — falou Calem, estendendo o braço.
Detect. — falou simplesmente Korrina.
Skrelp avançou agilmente rumo à adversária, a cauda parecendo brilhar em um tom arroxeado típico de criaturas venenosas. Os olhos vermelhos esboçaram confiança ao chegar cada vez mais perto da outra, que sequer se movia. Contudo, Mienfoo aparentava ganhar um brilho incomum no olhar. Subitamente, rápida como uma rajada de vento, desferiu um golpe, prendendo a cauda de Skrelp com as pernas, enquanto suas patas dianteiras apoiavam no solo. O cavalo-marinho ficou perdido ao se ver imobilizado e sem condições de atacar.
— Ela praticamente congelou o golpe. — murmurou Elliot.
Force Palm. — continuou a líder.
Em seguida, Mienfoo jogou a criatura com as pernas, e antes que reagisse, golpeou com um dos braços seu corpo, com uma habilidade tão grande Skrelp foi atirada metros para trás, quase chegando às grades da torre. Calem titubeou.
— Certo, vamos agora com o Water Pulse! — ordenou.
Korrina fez uma sequência de golpes de luta no ar.
Power-Up Punch!!
Skrelp concentrou suas energias e gerou um vórtex de água, atirando uma onda considerável em direção à adversária. Mienfoo avançou contra a água, sentindo o impacto do ataque, mas atravessando a onda, desferindo em seguida um golpe certeiro na criatura aquática com seu punho. Enquanto Skrelp era atirada para o lado com o impacto, a outra parecia ainda mais renovada após o ataque.
— Então esse é o golpe marca do ginásio… — balbuciou Calem, em seguida retornando à luta. — Poison Tail de novo!
— Use o Force Palm. — rebateu a líder.
Mais uma vez Skrelp avançou – agora já mais lenta devido às limitações de fraqueza. – mas Mienfoo desviou com imensa facilidade, jogando-se para o lado de maneira elaborada, em seguida desferindo um novo golpe com suas patas bem no centro da adversária, atirando-a para trás com grande força. Desta vez Skrelp não resistiu, caindo derrotada no chão, e deixando Calem respirando com pesar.
Alguns segundos foram necessários até que ele se recompusesse.
— Ele mal conseguiu atacar. — murmurou Charlie.
Calem retornou seu Pokémon para a Pokébola. Observou com cuidado a esfera antes de guardá-la no bolso.
— Bom trabalho. — sussurrou para seu Pokémon.
Ele dirigiu o olhar para a líder, que ainda tinha a mesma expressão de concentração no rosto, ainda que agora tivesse uma vitória.
— Confesso que a subestimei ligeiramente ao conhecê-la, Korrina. — comentou o garoto.
— Disciplina e persistência. — disse a moça. — Duas coisas que você precisa aprender com os Pokémon lutadores, e que são a raiz do meu ginásio.
Mienfoo fez um golpe no ar, acompanhando o que sua treinadora havia dito. O rapaz nada disse, apenas buscando outra Pokébola em seus pertences, estendendo-a em direção ao campo.
— Honedge, é a sua vez.
Dos raios de luz da Pokébola, surgiu uma criatura parecendo ganhar vida pelas sombras no chão. Honedge desembainhou-se, revelando melhor seu perturbador olho próximo ao cabo, semicerrando-se como se tivesse encontrado uma diversão para aquele dia. As nuvens moviam-se no céu, fechando-se, tornando o campo mais escuro a cada minuto. Apesar de ter uma fraqueza pelo tipo metálico, era um fantasma, e em condições normais, não podia ser afetado mesmo pelos golpes mais poderosos do tipo Fighting.
— Use o Aerial Ace. — comandou Calem.
Detect.
A espada avançou flutuando pelo campo, cortando o ar, mas Mienfoo parou seu golpe segurando-o com as patas, ainda que aparentasse certa dificuldade. Calem apontou para seu Pokémon.
Shadow Sneak.
Imediatamente Honedge desmaterializou-se, parecendo ser sugado para o chão em meio às sombras deixadas pelo céu escuro. Mienfoo ficou desestabilizada, a procurar o adversário naquele espaço, sem muito sucesso. Subitamente, a espada desferiu um golpe certeiro na criatura, jogando-a para o lado.
Aerial Ace, agora!
Detect!
Não tendo muitas alternativas se não apenas se defender e esperar que Honedge cansasse, Mienfoo tentou impedir o golpe mais uma vez, mas desta vez não obteve sucesso, sendo atingida pelo ataque mais rápido da espada, que a cortou em um único movimento, derrubando-a ferida no chão, sem conseguir se movimentar devido à desvantagem. Desta vez, era Korrina que parecia sem ter o que dizer.
— Um a um. — murmurou Calem para si mesmo.
Ela retornou Mienfoo para sua Pokébola, e ficaram todos inundados pela quietude. Era possível ouvir o vento tornando-se mais forte, enquanto alguns trovões ribombavam ao longe. A líder buscou uma segunda Pokébola, fazendo movimentos típicos de um golpe diferente, em seguida jogou a esfera para o alto.
— Hawlucha.— anunciou.
Da esfera saiu uma criatura curiosa. Assemelhava-se a um pássaro, do corpo pequeno direcionando-se duas asas com uma musculatura tão notável que mais pareciam braços. As patas aqueciam-se ágeis no chão, enquanto os olhos amarelos vivos encaravam seu inimigo fantasma com intimidação, por baixo de uma penugem colorida que lembrava a máscara de grandes lutadores de outras regiões.
 
 — Um guerreiro do tipo Flying e Fighting. — ponderou Aldrick. — Uma combinação mais ameaçadora do que parece.
— Utilize o Swords Dance. — comandou Calem.
Hone Claws, Hawlucha. — acompanhou Korrina.
Honedge fez diversos movimentos balançando o corpo metálico, como se buscasse fortalecer seus movimentos típicos de espada antes da luta. Hawlucha aproveitou para afiar as garras das patas dianteiras no chão de pedra, arranhando-o com tanta agilidade que de instância foi possível perceber que era mais veloz que aparentava.
— Agora, Aerial Ace. — prosseguiu o garoto.
— Use o Bounce. — interveio ela.
Honedge avançou ferozmente contra o pássaro, pronto para golpeá-lo, contudo, Hawlucha abriu as asas e atirou-se para o alto com suas patas fortes, aproveitando uma das rajadas de vento que soprava no alto da torre. A criatura ganhou considerável altura, antes de partir rumo ao solo de uma só vez, atacando o Pokémon metálico com as garras, causando certo impacto.
Shadow Sneak. — prosseguiu o menino.
Hone Claws!
O fantasma mais uma vez entrou nas sombras, mas Hawlucha apenas moveu seus olhos não muito surpreso. Viu sua sombra ganhar vida com o golpe de Honedge, tentando se recompor sem cair no chão. Voltou a afiar suas garras, preparando-se para um novo ataque, enquanto o fantasma parecia sequer cansado com o combate.
— Vá com o Bounce! — anunciou Korrina;
Shadow Sneak mais uma vez. — pediu o garoto.
Hawlucha levantou voo mais uma vez. Conseguiu ver Honedge tentando se esconder nas sombras, mas a visão do pássaro não permitia que muitas coisas escapassem. Localizou em sua sombra um movimento incomum, e mergulhou naquela direção, pronto para atacar, enquanto a espada também aproveitou o momento para golpeá-lo, no sentido oposto. Ambos se colocaram de costas, parados, tentando manter a posição estável. Contudo, a efetividade dos golpes fantasmagóricos em Hawlucha eram muito maiores que os que desferira na armadura metálica de Honedge, de maneira que a ave caísse vencida no solo.
Gurkinn descruzou e cruzou os braços. Korrina hesitou instantaneamente. De repente, tinha apenas um Pokémon restante. Honedge estava cansado no campo, mas com certeza ainda aguentava mais um pouco da luta pela vantagem que tinha. Calem respirou mais aliviado, uma vez que assumiu a vantagem. Se mantivesse o ritmo, conseguiria ganhar da líder. Elliot parecia animado, torcendo para ele alguns passos para trás.
— Só mais um Pokémon… — murmurou Korrina, não tão baixo.
A moça guardou a Pokébola de Hawlucha, pegando uma terceira com firmeza. Ela ficou a observar a pequena esfera em suas luvas, como se aquela em específico servisse à sua mão como nenhuma outra – um pensamento esquisito, mas que lhe ocorria. Algumas gotas de sereno começaram a cair, trazendo uma friagem para o campo de batalha. Todavia, nenhum dos lados fez muita coisa para se proteger da água que começava a cair. Os trovões ao redor agora tornavam-se mais audíveis, como se se aproximassem.

Sugestão: dê play para ouvir o efeito de tempestade enquanto lê

— Você tem bons Pokémon ao seu lado, Calem. — comentou a líder, séria e sincera.
Calem ficou a fitá-la.
— Eu sei. — respondeu.
— Você está com a vantagem agora. — ela admitiu, encarando sua Pokébola. — Mas eu seria tola se não guardasse o melhor para o final. Tenha a honra de conhecer meu maior guerreiro, e também meu melhor amigo. — falou, lançando a esfera para o alto com uma nova sequência de golpes.
A Pokébola abriu, lançando uma rajada de luzes em direção ao solo. Nesse momento, um raio estourou no céu, criando um clarão concomitantemente com a chegada do último guerreiro de Korrina. Uma criatura quase tão alta quanto a garota se posicionou no campo, movendo as orelhas e abrindo os olhos vermelhos tão intimidadores que fizeram o garoto sentir um arrepio quando foi encarado, sentindo uma aura única ser emanada daquela criatura. Já havia visto aquele Pokémon em lendas antigas, e sabia que era familiar – era semelhante à imensa estátua no centro da Tower of Mastery, do primeiro Pokémon a Mega Evoluir em Kalos. Era um Lucario.



O Pokémon se alongou, colocando-se em posição de luta.
Shadow Sneak, uma nova vez! — anunciou Calem.
— Vamos pará-lo com o Bone Rush! — pediu Korrina.
Quando Honedge sumiu no solo, Lucario sequer se moveu. A criatura apenas fechou os olhos, com uma naturalidade tão grande que Serena quase levantou e gritou “acorde, você vai ser atacado”. Korrina também fechou seus olhos, respirando fundo. Os apêndices na cabeça de Lucario começaram a se levantar ligeiramente conforme demonstrava pressentir a chegada do inimigo, e quando a espada emergiu do chão, o cão virou-se de forma súbita e gerou de suas mãos um cajado comprido e branco, resistente como um osso, que impediu o ataque. O olho no cabo de Honedge se arregalou.
Korrina acompanhava o movimento de seu Pokémon, como se fosse um video-game, e cada movimento que a garota fizesse fosse reproduzido pela criatura, e vice-versa. A sincronia era tão absurda que podia-se dizer que era a moça que estava em campo, e não Lucario. Em seguida, o lutador moveu seu cajado em uma forma de ataque, acertando em cheio Honedge três vezes, caindo no chão sem conseguir reagir.
Calem prendeu a respiração. Seus amigos pareciam igualmente abalados. Aquela batalha parecia a cada segundo mudar de lado, como se o destino não conseguisse escolher quem deveria ganhar. Se antes Korrina tinha o domínio e depois fora surpreendida por Calem, agora retomava sua posição de controle, ambos tendo apenas um Pokémon restante para batalhar.
— A espécie dos Lucarios é muito famosa nas histórias antigas. — comentou Aldrick. — Eles só se envolvem com treinadores que sintam que tem uma aura pura, e podem usar esses seus poderes a seu favor em uma luta. Eles são um dos tipos mais poderosos do mundo Pokémon.
— Traduzindo, — disse Charlie, arqueando uma sobrancelha. — Calem está em apuros.
— Como você venceu ele? — perguntou Serena, apreensiva, a Kath.
— Eu… Eu não lutei contra ele. — disse Katheryn, focada na batalha. — O último Pokémon que ela usou comigo foi um Hawlucha.
Serena fez um barulho de quem percebia que o primo de fato estava em território perigoso. Korrina e Lucario eram interligados de uma forma que quase lessem seus próprios movimentos, e tinha medo que Calem se intimidasse com isso, uma vez que ele e seu inicial não haviam chegado a esse nível de proximidade.
— Eu também não deixaria de guardar o melhor para o final. — murmurou Calem, mas baixo, como se falasse apenas consigo mesmo. — Pupitar, é a sua vez.
Ele estendeu a Pokébola, permitindo que a criatura de pedra entrasse em campo. Da luz, surgiu um guerreiro blindado com uma poderosa armadura, acinzentado em um tom quase prata. Os olhos ameaçadores se colocavam à frente, encarando Lucario com igual confiança, como se reconhecesse o poder daquele lutador, mas não se colocasse em uma posição inferior. Seus amigos não evitaram ficar boquiabertos.
— O Larvitar dele evoluiu!! — comentou Katheryn. — Por que vocês não falaram nada?!
— A-a gente também não sabia… — murmurou Serena, admirada com o guerreiro renovado.
Calem, todavia, não parecia tão confiante assim.
A situação entre eu e Pupitar estava ainda mais complicada após a batalha contra Damien. Aquele desafio deixou-nos ambos hesitantes, e eu não o culpava por nossa derrota – apenas receio que ele não pense o mesmo de mim, e de fato me culpe. Ver Korrina com Lucario, sobretudo, parecia ser uma forma de mais uma vez enfrentar duplas em perfeita sincronia enquanto nós apenas tentávamos não brigar em campo.
Sandstorm! — falou Calem.
— Ataque com o Power-Up Punch.
Pupitar concentrou-se e aproveitou das rajadas de vento para criar um furacão de areia em torno de si, dificultando a visão no campo. Lucario, pertencendo ao tipo metálico, não sofreu muito com o golpe, apesar de ter seu desempenho dificultado com as condições do campo. O lutador avançou, desferindo um golpe certeiro com seu punho no guerreiro de pedra, empurrando-o para trás.
Use o Rock Slide! — comandou Calem.
Bone Rush. — acompanhou Korrina.
Lucario mais uma vez invocou um cajado feito de ossos, avançando em direção ao guerreiro de pedra. Diversas rochas foram arremessadas, mas o lutador conseguiu se esquivar de boa parte delas, utilizando a arma como forma de proteção. Atingiu o adversário com o osso, mas Pupitar conseguiu se manter praticamente intacto com o golpe.
— Pupitar, pense que ele é o Lairon de ontem — murmurou Calem baixinho para o Pokémon. — Thrash! — bradou em seguida.
As palavras do treinador pareceram atingir Pupitar como um choque elétrico. Os olhos da criatura atingiram um visual tão nefasto que mesmo Lucario sentiu a aura ao seu redor ser modificada. O guerreiro de pedra avançou, como se a areia ao seu redor permitisse que sua agilidade aumentasse, deixando o adversário perdido por um segundo. Em seguida, jogou o corpo com grande força, em uma série de golpes seguidos com tanta ferocidade que Lucario sequer teve como recuar.
O lutador tentou recuperar o fôlego à certa distância, tendo uma brecha. Sua treinadora arqueou, simulando um ataque.
Aura Sphere! — gritou ela.
Lucario arqueou as costas como ela, abrindo as duas mãos juntas e ampliando a distância entre elas gradualmente. Seus olhos estavam fechados, como se procurasse o máximo de concentração mesmo durante aquele combate caótico. As gotas de água caíam em seu focinho agora com uma força maior, mas ele não parecia se importar. Os apêndices em sua cabeça levantaram uma nova vez, e uma esfera de um tom vivo e místico de azul se formou próximo ao seu corpo.
Sincronizadamente, Lucario e Korrina estenderam os braços, disparando a esfera em direção a Pupitar. Era como se a bola de energia emanasse tanto poder que até mesmo o chão da torre se partia com sua movimentação no ar. O guerreiro de pedra, contudo, também avançava, em direção à esfera.
A bola quebrou-se no corpo protegido de Pupitar, causando instantaneamente uma paralisia com todo o impacto. Contudo, surpreendentemente, a criatura continuou avançando, com um olhar furioso, voltando a acertar Lucario com a mesma sequência de golpes incessante, como se nada pudesse pará-lo, se não a derrota do inimigo. Até mesmo Korrina se surpreendeu com a reação do Pokémon adversário.
Após a nova sequência de golpes, Lucario foi lançado para o lado. O cão se levantou, respirando com um tanto de dificuldade pela areia ao redor. Os olhos de Pupitar gradualmente voltavam ao normal, e só então o Pokémon parecia se dar conta de tudo que acontecera, e de como ainda estava cansado. Fora consumido pela imagem de Lairon o enfrentando mais uma vez, como se não conseguisse enxergar outra coisa. Porém, agora uma tontura o atingia, fazendo parecer que tudo ao redor se misturasse. Apesar da força, usar o Thrash o deixava desestabilizado após o ataque.
— Aproveite e utilize o Bone Rush, Lucario!
— Use o Ancient Power!! — rebateu Calem.
Naquele momento a chuva começou a cair de vez. Os ventos uivavam fazendo o mar se tornar raivoso, quebrando ondas enormes na beira da praia, ricocheteando com ira as pedras. Trovões rasgavam os céus com sua luz, ribombando em estalos graves por todas as direções. Todos que assistiam à batalha correram para se abrigar em uma parte coberta do topo da torre, mas os dois treinadores e seus Pokémon permaneceram no mesmo local, lutando contra a natureza.

Pupitar levantou diversas pedras ao seu redor. Algumas atingiram Lucario, mas o lutador conseguiu utilizar outras para ganhar mais agilidade, golpeando a armadura do guerreiro com seu osso. Calem sequer teve a oportunidade de se incomodar com todas as roupas molhadas, porque se via quase completamente consumido pela atenção para a luta. Os patins de Korrina deslizavam na pedra úmida do chão, mas a garota apenas colocou uma mecha de cabelo molhado grudado em sua testa para trás.
— Vamos acabar com isso. — disse a moça se colocando uma última vez em posição de ataque, soltando um brado tão alto que parecia um dos trovões rugindo no oceano. — Aura Sphere!
— Pupitar, não desista. — continuou Calem. — Acabe com ele usando o Thrash!!
Lucario concentrou tanta energia ao seu redor que a tempestade de areia voltou a ganhar forças. Ele e Korrina fecharam os olhos, e uma esfera de iluminada surgiu entre as patas da criatura. Seus olhos se abriram quando uma poderosa aura se formou em seu entorno, e os olhos vermelhos brilharam em fúria quando disparou o golpe com seu grande poder, à medida que Pupitar avançava em toda a sua velocidade, em um olhar tão inundado pela cólera que parecia um foguete.
Um relâmpago cortou os céus tão próximo à torre que por um segundo tudo ficou tão claro como em uma explosão. O ruído estourou ensurdecedor ao lado de todos, e o mar respondeu em furor com uma movimentação anormal. A tempestade de areia atingiu seu ápice, bloqueando toda a visão em um tornado, de maneira que tanto Calem quanto Korrina fossem inevitavelmente jogados para trás.
Os dois se levantaram instantaneamente, bloqueando o rosto. Aos poucos a poeira baixava, e era possível ver tanto Lucario quanto Pupitar de pé. Ambos respiravam ofegantemente, tão sujos e molhados que pareciam ter atravessado uma tempestade. O barulho da chuva parecia preencher os ouvidos de todos naqueles vitais segundos que quase durar meses, de tão cruciais.
De repente, Lucario fraquejou.
Sua perna bambeou, obrigando-o a se apoiar no chão, para não cair. Os olhos inevitavelmente fechavam, exaustos. Grant correu para o centro da arena, e fitou o Pokémon. A chuva parecia diminuir, como se não tivesse mais motivos para castigar ninguém. Em seguida, o líder de pedra levantou uma das mãos para cima, ditando as seguintes palavras com grande ênfase, mas um tanto pesadas, como se não quisesse dizê-las. Ninguém parecia acreditar muito no que elas significavam.

— A vitória vai para Calem Windsor, o novo Sucessor das Mega Evoluções.

    

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